Resolvi gastar o pouco tempo que me sobra ultimamente p´ra reler a minha coleção de e-mails. Tanto os enviados quanto os recebidos. É que tive uma crise de abstinência de leitura por e-mails.
Desmanchei um bocado de e-mails e conservei alguns. Os engraçados eu apaguei. Ria, balançava a cabeça e, sem piedade, pronto: atirava mais um pela janela. É como chutar gatos na parede.
Havia destinatários que eu não me recordava. Fazia um esforço e... nada. A insignificância me causa amnésia e nenhum arrepio.
Num vulto eu pensei em enviar algo ao destinatário desconhecido - atualmente esquecido, seu insensível! -, mas não achei assunto. Um simples “quem é você?” não resolveria, pois do outro lado poderia vim uma réplica. Ou, quem sabe, me confundir com um vírus, fazendo não valer a minha curiosidade pela nulidade. Seria um tanto desagradável. Mantive o silêncio, o desinteresse e poucas risadas sem graça. Sou cabra-cega e não quero pegar ninguém.
E-mails de 2004, de 2003, que só servem para provar que os textos se tornam, quando pobres, órfãos. Até alguns enviados por mim eram inacreditáveis. Vai ver eu estava entorpecido ou sei lá o quê. Ou será que o futuro me estragou? Culpa do presente!“Mas p´ra quem, com tamanha afinidade, eu escrevi uma tolice dessas?”. No final eu não queria saber. O que eu queria era rir de tudo aquilo que nunca, pelo hoje, me pertenceu. Eu escrevi pela fome de escrever, e hoje a azia está aí, escancarada.
Garanto que não há destinatário para este texto de agora. Fica menos engraçado, mas fico(a) eu.
Eu não nasci p´ra ser comediante.
Corta!
Escrito por Leonardo Cattoni às 22h42
[ envie esta mensagem ]
|