Idílio
No quarto espelhado e lúgubre ela dança,
Nua,
Imbuindo libido
Desfila beleza na pele rubra (vitrine de tua riqueza)
Requebra poesia
Separa paixão de amor,
Puritanismo de pecado,
Puta, de mãe
E depois cola Deus no Diabo,
Brincando de ser mulher
Ri, faz caras e bocas para o espelho,
Entregando-me pela metade
Neblina delírio
Laça-me para teu ventre
Sol-menino
Pari-me entre gozos,
Sem fração
Encharca sertões
Dou carinho dado em troca de prazer emprestado
Cresce mulher e morre homem
Aia,
Aprendiz
Renasço em teus braços armilares
Feliz que me faz até o teu olhar ir dormir
Imploro,
Defloro
Torna-se mulher enquanto derrama menina
Eclipse
Estende o sorriso
Nutro desejos...
E a claridade é interrompida, com a ajuda das pálpebras
Sobra apenas o tudo, para o amanhã catar e guardar.
"A gente nem respira e a vida fica tão ontem!"
Escrito por Leonardo Cattoni às 22h13
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