Queria eu querer mais. Querer muito, querer tanto! Contos de Sabino me deixam assim. O mundo me prepara. Ninguém me salga. Sou insípito; quando pouco, muito azedo. Homem probo me avista de longe e cospe. Palita os dentes e sai andando com tua elegância.
Queria eu querer mais. Querer sempre! Sempre muito. Muito, a qualquer hora. Leio o que escrevi, num passado distante daqui; leio o que nunca rabisquei e esqueço no próximo parágrafo do que passou em branco.
Sou filho do Hoje, e amanhã hão de me parir de novo. Morro daqui a pouco. Foi ontem?
Não me veja nestas entrelinhas. Não sou o que teus olhos, de cego, seguem. Sou vazio. Linhas, com tuas letras na desordem, constroem a língua que não é minha. Hospício é lar do meu raciocínio são; vizinho da Razão.
Leia-me. Cospe depois. Palite os dentes e saia tropeçando.
Escrito por Leonardo Cattoni às 22h34
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