Eu rabisco o Blog de amor e saudades
Já fui um romântico, daqueles que só enxerga o inapreensível orgulho mórbido. Já me deixei às margens da vida nobre, para soluçar as traições, a insegurança, os abandonos. Já fui envolvido pelo ridículo que a paixão, em teu despotismo, impõe. Eu era feliz, imbatível, invencível quando as namoradinhas contornavam o meu mundo com carícias e confissões ardentes. Nenhuma mentira que a amada me sussurrava era mentira. E eu correspondia com verdades alheia.
Anotações genuínas, desesperadas, de um solitário amargurado, na última folha do caderno de matemática; e o nome da culpada lá, entre rascunhos e saudades. Passaria a limpo no próximo encontro com ela!, eu calculava. Meu caderno de matemática parecia com um diário, encharcado de graças feminis, onde linhas, carregadas de desejos, sujavam a minha responsabilidade como estudante e como macho, que se orgulha de teu pênis ereto comendo, de quatro, o mundo sensível.
No meu quotidiano havia replay, pause. As insônias cobrindo a minha noite criança; os meus sonhos, todos, vendidos a elas.
Apaixonei-me diversas vezes. Amei outras. Todas seriam a última: eu jurava, com um terço na mão e lágrimas furtivas de emoção.
Fiquei sozinho por muito tempo. Tornei-me, graças a Deus, ateu. Não havia ninguém p´ra compartilhar as noites insones, nem ninguém p´ra fazer-me rabiscar a semana no calendário para ir correndo ao encontro nos finais de semana.
Fiquei com saudades - nunca sei se é saudades ou saudade. Provavelmente eu estava rabiscando também, quando mergulhado na paixão, o caderninho de Português - desta vida de Romeu. Queria ser ridículo novamente. Queria me envolver neste desejo atroz, que só as mulheres procriam. Eu estava com fome de amar, de apaixonar, de, talvez, ser corno.
Foi quando numa noite, em que fui abandonado, conheci, sob os cacos de um homem desamparado, a mulher que me faz, aqui, rabiscar novamente.
Estou amando, apaixonado. Estou à beira do ridículo, e louco para pular. Eu sou um suicida. A vida é fúnebre sem as pieguices que o amor nos injeta na veia.
Sinto-me qualitativo e quantitativo ao mesmo tempo. Sou um p´ra mim e todos para ela.
Eu tenho sede de Juliana, sede deste mundo que a cria. Sou tudo de novo e mais um pouco, e me orgulho.
Sou de Juliana e de mais ninguém. Estou jurando amor eterno. Estou sendo um ridículo confesso para não me aprisionar novamente nesta vida sem Juliana.
Escrito por Leonardo Cattoni às 00h11
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