Deixamos de viver o hoje para viver o futuro que nos guarda o passado que nunca foi presente
O cinza se esconde atrás do Sol.
Vovó procura os óculos para procurar melhor outras coisas.
A Rua Bandeira ainda se chama Bandeira e tem a mesma ladeira, com tua descida.
As nuvens, de algodão, pintam o céu de céu.
Fred já foi travesseiro e late, quando é cachorro, na minha nostalgia pedigree.
O mundo sorri p´ra mim.
O sorriso toca canções melífluas em meu silêncio amargo.
A aferição é calculada pela inocência, sobre o corrimão, com tua interjeição íngreme.
Brota sangue dos meus machucados.
Não há dor em minha alma.
Hoje existem muito mais cicatrizes na minha alma do que na minha pele.
Será mesmo que na alma as feridas cicatrizam?
Hoje há Ju, com cheiro de natal.
Já não sei se a felicidade tem cheiro de naftalina.
PS: Gabriel me deu uma tristeza hoje. Ele é o meu passado, o meu presente e o futuro que nunca chegou. Não há passado sem futuro, há? Gabriel me presenteia também o impossível.
Escrito por Leonardo Cattoni às 23h50
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