Para as mulheres que buscam emagrecer
Estava tomando o meu café num botequim, perto de meu serviço, quando uma conhecida me perguntou: "E aí, Leonardo, trabalhando muito?" "Eu estou almoçando o jantar neste café da manhã" - respondi.
Pois é, eu vivo, ultimamente, apressado. Emagreci três quilos de uns tempos p´ra cá, mas o cigarro me dá energia, e a cabeça não cessa de fazer cálculos incalculáveis.
Pretendo virar monge.
Escrito por Leonardo Cattoni às 23h20
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Danceteria: cárcere de macacos e de tuas macaquices
Uma orgia de cores e um barulho infernal. Um monte de macacos alegres, pérfidos, infiéis à racionalidade didática, à sensibilidade aprendida na cadeira da escola. Eu estava calado e, quando muito, lacônico. Balbuciava um Sim ou um Não, quando necessário. Prestava atenção nos que carregavam certa alegria, nitidamente estampada no rosto e percebida pelos gestos. Eu estava desambientado, assistindo a natureza paralela na passarela.
Sou muito infeliz p´ra ser sério e idôneo. As minhas desgraças se transformaram em gracejos há muito tempo. Vivo a degustar mentiras, repelindo dor.
Resolvi me embriagar de tudo que me sitiava. Eu estava com fome de outro alguém que não fosse eu. Alguém me ofereceu algo e não pude negar. Não pensei, no momento, na possibilidade de ser veneno. Era a única maneira que eu encontrei de me esconder.
Afrouxei o meu colarinho e acendi um cigarro. Como algo tão pequeno pode mudar a imperecível consciência, condutora da máquina humana mortal!
A alegria alheia faz de mim, a cada momento, mais infeliz e aborrecido. A felicidade alheia me é inócua e sensabor. Causa-me repugnância. Porque a alegria confirma a alienação, o desinteresse, antes de mais nada, pela própria vida e, além de tudo, declara a minha individualidade: causadora de certa aflição.
A Felicidade é infrutífera quando não há dor. Para ser sucinto, eu não compreendo nada longe de mim. Mas acho que tudo seja, por mais diferente que pareça, na tua intimidade, igual.
O mais sensato é o suicida, que faz das dores, infelicidades e aborrecimentos, nômades. Que faz a tristeza ficar sem vítima; que faz da tristeza uma inativa, uma desempregada. "Mal se nasce já se é culpado", de Hesse, deixa-nos com a liberdade de escolhermos o tamanho de nossas culpas. Um idoso tem mais culpa do que um recém-nascido.
Eu invejo toda a ignorância, todo o desinteresse, toda a alienação. Invejo o cão, o pássaro, esses bichos inumanos que existem por aí. Invejo também os humanos eloqüentes. Sou delinqüente e, portanto, ignorado por ter ignorado alguns rabiscos da lousa. Eu queria que os livros fossem-me incompreensíveis, que os jornais fossem utensílios domésticos, apenas. Eu queria ter medo da morte e ter religião, tudo ao mesmo tempo.
Não sei o que faço derramando, aqui, tais 'abnegações'. Não é do interesse alheio a minha vida anímica. Eu sou a única testemunha de meus dissabores íntimos. Ainda sobrevivo, acumulando culpas e freqüentando danceterias sem nunca macaquear.
Escrito por Leonardo Cattoni às 21h50
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