Na minha Curitiba cabe ela

Os últimos deste, segundo alguém, desmerecem o polegar para cima. Polegar p´ra baixo para o borrão deste Blog!
Este alguém me disse: “Anda escrevendo porcaria demais, Leonardo”.
Que culpa tenho de estar apaixonado? Não há remédio em canto algum.
Os filhos órfãos já diziam que gripe é culpa do Pai Nosso p´ra tirarem o reto da reta.
Sensatez só atua nas telas do Cinema Mudo. A miopia vai mamando e crescendo.
Me pego, frequentemente, assobiando por aí; dançando discussão de passarinho solto.
O escárnio pediu colo para a seriedade e dormiu no chão. Pensando cá comigo: “acho que não estou dando conta de continuar Leonardo Cattoni. Transformei-me em uma caricatura de mim mesmo”.
Faço do assento do banquinho um pandeiro, p´ra tirar Noel Rosa e ser o teu Pierrot. Japonesa não tem samba no pé, mas gosta de inventar que é bailarina russa quando escorrega no talharim. Curitibana de mão cheia, deixe de bobeira e caia nos meus braços! Estou com fome de lho paparicar sem antes ter que me adaptar.
Seu hálito de hortelã querendo desmanchar-se na nicotina p`ra brincarmos de incêndio nas Baianas, em pleno julho, antes de partir outra vez.
Agora tudo é ela e com ela, sem vírgula. Engulo-a sem mastigar, como se fosse sopa apanhada por garfo.
Ando sumido por culpa do vício, tiranos leitores. O vício do anonimato. O vício do gostar quieto, com frio, até o clichê Eu te Amo ser, acidentalmente, dito em sussurros tímidos e quentes na madrugada dominical e postado aqui, estupidamente.
Já dizia algum Karamazov que “a escada do vício é a mesma p´ra todos. Uma vez, posto o pé no primeiro degrau, é preciso galgar todos”. Cada vez mais, mais vezes eu quero. O montículo de areia no plural assassina o mar no litoral; enterra o teu eu a sete palmos e, quando na concha da mão, se transforma em piscina para os teus olhos curiosos e cinzas enterrarem os erros do meu egoísmo.
Li numa revista que quem comanda o Amor é o cérebro, e não o coração. Foi a revelação mais perspicaz que já vi. A antropóloga americana Helen Fisher aniquilou o meu lado romântico com tal constatação. Pensei comigo: “preciso parar de desenhar no céu corações de fumaça Free, quando a curitibana pedir provas de gostar”.
Li também que a arte é o sexo da imaginação. Foi aí que eu vi como a minha imaginação sem a curitibana se torna escasso de libido. Ela é toda arte.
Qual parte do cérebro comanda o Amor? O mesmo lado daquele que comanda a canhota de um destro? Fiquei aqui, com a minha cabeça cheia de amor e o coração borrado de sangue, me perguntando. Não logrei obter resposta porque sem o patrocínio do Amor não existem lutas em minha consciência. Mas o coração balança, mesmo maculado só de sangue, quando ela aponta no limite máximo donde minha visão alcança. O coração sacode feito cachorro molhado; salta feito o neguinho de Lobato e bate até enxergar o falecimento de nosso sucesso.
Traga-me o teu cheiro para eu sentir a dor de viver e rabiscar feito o nosso Leminski.
Desfilei o meu gostar e tropeçamos no ridículo.
Mais uma porcaria publicada.
Escrito por Leonardo Cattoni às 16h30
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