Sem assunto
A falta de assunto é o assunto de hoje.
Eu não tenho assunto. Tudo em pause, congelado. Tudo repetido. Um ciclo. A mesmice. A falta do novo. O abandono do velho. A descrença do agora. A ojeriza do tempo que nos pertence. Eu gostaria, numa hora dessas, de ter uma professora de redação me presenteando com um título, sem limite de linhas, sem critérios.
"Ah, Leonardo, deixa de ser Cattoni!"
Procuro assunto no olhar da menina que deita de bruços no chão, sustentando a cabecinha com as mãos inocentes, lendo as figuras feias do jornal. Procuro assunto nos escândalos da nossa política pornográfica, que têm o seu fim infinito, como novelas e filmes 'inéditos', de sucesso garantido. Procuro assunto no cão que derrama patrimonialismo na árvore. Procuro assunto no formigueiro de humanos no centro da cidade, buscando incansavelmente o infinito, como se a imortalidade estivesse consolidada no concreto. Procuro assunto nas canções ditas. Procuro assunto nos excluídos, que está incluído no roteiro da Desigualdade Social. Procuro assunto nos burgueses que querem sustentar tal título. Procuro assunto na gestante, na infelicidade, na beleza, na feiúra, na religião, no ceticismo. Procuro assunto nas fotografias vivas. Procuro assunto na tela da janela entreaberta. Procuro assunto na solidão dos casais. Procuro assunto nas pessoas diante a igreja, fazendo a cruz no peito pra liquidar os pecados que virá, como se pedissem uma autorização para viver. Procuro assunto na falta de assunto.
Texto prematuro. Texto vazio. Linhas nascendo para a interpretação do inacabável morrer. Dúbio sendo explicado.
Eu procuro assunto nas vitrines do mundo consumidor.
A falta de assunto gera assunto sem ponto( . )...
Eu moro num exílio.
Escrito por Leonardo Cattoni às 22h42
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Receita da sopa de hipocrisia e da sobremesa de complexo. Tudo light, claro!
Olha eu aqui outra vez! Num dia após o outro. Num texto após o outro.
As paulistas, do ABC, ficaram, digamos, emputecidas com o meu texto. Indiretamente comigo, claro!
Eu sempre odiei hipocrisia. Sempre odiei caretice. A caretice me aflige, me deprime e me emputece. A caretice é o reflexo da hipocrisia diante o espelho.
A democracia que veio para consertar o que a ditadura não consertou estragou tudo. A liberdade de expressão é o filho prodígio da Ditadura.
Falei de Sampa e Rio porque queria. Queria fazer graça. Queria dizer verdades sem machucar. Queria dissipar a dor dos partidários do Complexo com um texto cômico. E de nada adiantou. Eu queria manter a minha independência, sustentar a liberdade de expressão, defender os direitos do ser humano, os valores da iniciativa democrática.
E por conta disso recebi, digamos, inimizades?!.
Nós, proprietários privados da inferioridade, caçoamos, menosprezamos, culpamos toda a nossa desgraça aos EUA. Será que isso incomoda os americanos? Será que eles deixam de dormir por causa disso? Algum americano, bebendo sua budweiser, depois de descobrir, sem querer, claro!, que é odiado por nós, simplesmente deve pensar, coçando a bunda: “A inveja é uma merda!”
Quando o comunismo faleceu, antes mesmo de nascer, morrendo o gerador e o feto - A eclâmpsia gerada pelo capitalistinha que residia na Utopia nº.666 – sobraram os hipócritas revolucionários, os caretas revolucionários, os pseudo intelectuais, usando camisetas de Jesus, digo, Bob Marley, não não, do Che Guevara. A mercadoria de maior valor do capitalismo é o comunismo. O comunista de antes é como a moradora do ABC paulista de hoje. A hipocrisia de dizer eu amo o que sou, desejando ser o impossível, é a própria hipocrisia pedigree.
Caretas...ah! caretas! Bando de gente que se camufla em ternos, usando um gel na juba. Caretas me lembram muito comunistas, hippies e punks nos dias de hoje. Aquela falsa coisa que nunca existiu. O hippie da Savassi, trajando batas indianas, vendendo colarzinhos e pulseirinhas de fabricação própria. Fumando seu baseadinho. Saudando com o “peace and love”. O beatnik pós-moderno. O hippie não está interessado em nada. Política não o interessa. Não estão, por conta disso, preocupados com a Liberdade. Não gostam da arte porque a arte é chata pacas, bicho. Não estão preocupados com o dinheiro porque o capitalismo os toleram. Recebem esmolas e sonegam impostos a céu aberto, feito a igreja. São hippies para não serem marginais.
O punk, outro sujeito engraçado. Ele vive passeando em shoppings, usando camisetas de grife com a estampa do Sex Pistols.
Punk na América Latina é surreal. É carnaval japonês. É beisebol no Maracanã.
Os esquerdistas de hoje são os mais cômicos. Bem, eu sou, sabe. Li algumas coisas do Marx e turma. Queria ser feito o Che Guevara, ser feito o Debray. Cheguei atrasado, esse foi o meu mal. Cheguei depois da festa, quando todos estavam ébrios, esparramados pelos quatro cantos do salão. Não sobrou nenhuma cervejinha esquecida no canto do freezer. Não me sobrou nenhuma ponta no cinzeiro. Mas isso não me esmoreceu. Eu queria ser um intelectual. Queria ter um pôster do Che Guevara para me gabar. Eu queria ser mesmo o Che Guevara. Queria ser tudo o que eu não fui. Ter aquela coragem. Abandonar o meu conforto material para buscar o espiritual. Mas ele era ídolo, apenas. Che era o que eu nunca seria, por isso eu o admirava. Che Guevara é pra mim o que o Super-homem é para a meninada sem asa.
Depois vi que era bobagem. Descobri que o Comunismo, Socialismo, Esquerdismo, ou sei lá o que, castra a libido da humanidade. Eu quero dinheiro! Quero consumir! Quero gozar!
E os caretas?! E os hipócritas?! Ah!,difícil domá-los. Convencer o contrário que os convencem nos seus âmagos é algo impossível.
Eu gosto de sentar diante uma feminista e falar sobre o machismo. Ser o machão, o antiquado no antiquário. Gosto de ver a cara de enjôo da feminista, sabendo que a vagina dela lateja. Ah! como é bom!
Caretas, complexados e afins, eu nunca moraria no ABC e fumo o meu baseado para rir da desgraça alheia, para rir da minha desgraça. Um riso ao deboche. Um brinde a tu!
Escrito por Leonardo Cattoni às 23h22
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SP. X RJ. hoje, às 22h43
Depois de postar um texto do Ivan Lessa no Chuva de Letras, onde ele menciona o Rio de Janeiro, eu resolvi falar também do Rio.
Não, não falarei somente do Rio de Janeiro.
Estou tendo, digamos, um affair com uma carioca. Uma dançarina carioca. Uma dureza sem ritmo. Mas amacia muito no leito coberto de dois corpos nus com ritmo. Nossos corpos, claro, dançando um vai-e-vem ao som de sussurros quase inaudíveis. Proibido gritos aqui! Ultimamente também ando proseando com uma carioca. Minha parceira de blog. E como conheço muitas paulistas, resolvi falar do Rio de Janeiro e de São Paulo. Úteros de gente que gosto.
Rio: só fui a passeio. Sampa: eu morei. Hoje eu resido em Belo Horizonte. Não gosto daqui. Ando suportando por me dar um pão com manteiga e café quente todas as manhãs. E eu não enfrento fila. Pão de queijo de verdade é pega-turista. Já resido aqui há um tempão.
Deveras, o pior de Belo Horizonte é o belo-horizontino. Não há dúvidas nisso. Belo-horizontino é o mascote da parvoíce que os comunas sem Che vestem para aplaudir Chávez e Fidel quando aparecem na terra tupiniquim. Tolice total!
Não venha fazer negócios aqui, paulista ou fluminense que me lê! Ex: Se há um restaurante, onde o preço do quilo é de R$ 10, 00, e tem um vizinho concorrente, cobrando o mesmo preço, o tal restaurante vai lá e abaixa o preço a R$0, 90 centavos a cada 100 gramas, como se fosse enganar a sua própria bestialidade. O proprietário ainda esbanja: “Vou quebrá-lo!” Repito: Não faça negócios aqui! O belo-horizontino não visa o lucro próprio, ele visa o prejuízo daquele que faz negócio. E o seu prejuízo oculto de imediato também, se isso levar o concorrente junto no futuro breve.
Sou curitibano, e me orgulho de certa forma disso. Terra dos jovens deprimidos. Em Curitiba reina a depressão. Ah, que chique! Uma Paris no quintal dos inquilinos dos EUA: Sampa e Rio.
Curitiba, assim como as cidades sulistas, sempre deu as costas para o país do Rio, o país tropical. Nunca fez questão de participar de nada, de dividir ninharias. Independente em tudo. “ Nós nos viramos por aqui. Não se preocupe, terra medíocre!”
Acho graça da rivalidade do carioca com o paulistano. Uma grande bobagem. Esse eixo que não teme nada porque não tem competidor. Rincha de galinhas no quintal de búfalos.
O país do futebol é tomado por um estádio gigante. Não, não falo do Maracanã coca-cola – vermelho e preto. Brasil é o próprio estádio. Como? Bem, eu digo aqui. Manaus é o patrocinador. Minas é o campo. Rio e Sampa são os times. E o resto é a torcida que não sabe de qual lado está, mas paga caro pelo ingresso. Eu já prefiro tourada.
Morei em Sampa e me apaixonei. Deixo bem claro que foi em Sampa mesmo. ABC é favela organizada ou, na melhor das hipóteses, favela desorganizada. Favela sem ladeira.
Entre ABC e Rocinha, eu prefiro ter na minha janela a paisagem do Cristo. Aquele Cristo de pedra e de braços ao vento.
Paulista, Brigadeiro Faria Lima, Rebouças, e claro!, minha rua, a Capote Valente. Ah!, que saudades do “mundo todo”! Jabor disse uma verdade sobre as duas – espero que a Valéria continue a querer dormir com ele: “Rio de Janeiro pensa que é superior. São Paulo é.”
São Paulo é grande sem praia. Se tivesse praia não seria cidade, seria apenas uma 'praia metropolitana'. Praia é praia. Cidade é cidade. Macaco é macaco. E baitola é baitola. Rio sem praia nem cidade é. Ok, as cariocas são belas. Mas só são belas de fio-dental e em calendários sujos de óleo e graxa. As paulistanas são belas de qualquer jeito. De roupa então, ah!, uma delícia! A carioca com roupa é homem. Belo-horizontina é paulista-paraguaio que copia carioca sem bronzeador. É o filho do macaco com javali feito em laboratório. Uma aberração!
Por favor, não competem mais! O campo aqui já acabou. O patrocinador veste outro. A arquibancada se espatifou. A torcida foi para Alemanha de tevê.
Garotinho subindo a Serra de Minas é Alckmin.
Escrito por Leonardo Cattoni às 22h43
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