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Uma boa idéia
Flaubert disse que só se pode pensar sentado. Outro escritor, que não me recordo agora, disse que é só sentar diante um papel e com caneta na mão que as idéias aparecem.
No meu caso é diferente. Nem sentado e nem em pé as idéias surgem. Por isso qualquer miudeza é motivo para eu escrever. Pra variar um e-mail me alimentou. Recebi ontem um e-mail de Ana Cláudia. Só tenho a agradecer. A culpada desse texto aqui é Ana Cláudia. Só não sei como Ana Cláudia me encontrou. Desconheço a figura.
Aproveito então esse espaço, que carece tanto de idéias, para respondê-la. Afinal, é assim que nascem textos aqui.
Ana Cláudia fez perguntas criativas. De blogueiro passei a ser um entrevistado. Daqui uns dias irão perguntar, por exemplo, qual é o número que calço. Adorei os disparates de Ana Cláudia. Se for pra enriquecer o meu blog, já que nesse caso é a quantidade de letras que o enriquece, eu vou continuar a comentar comentários de meus textos por aqui, ou simplesmente colá-los, que é pra dar menos trabalho.
Bem, a primeira vez que li Diogo Mainardi foi em 1999. Uma coluna dele me chamou atenção. Eu sempre fui “cutucador”, do contra, tornando-me, na maioria das vezes, um antipático. Mas as minhas discussões têm fundamento. Se uma pessoa, por exemplo, chega em mim e diz que a grama é de cor vermelha, eu não consinto. Se ele insistir nesse absurdo eu chegaria à conclusão que ele sofre de daltonismo. E tenho a certeza que ele acabaria procurando um especialista. ( risos )
Sou pragmático. A minha idiossincrasia é a de uma pessoa chata.
Eu nunca me simpatizei pelo Brasil. Por isso gosto do Mainardi. Encontrei um ombro em Mainardi. Ele me ajudou a me entender. Na maioria das vezes eu me sentia mal em ser tão pragmático, de desmerecer as coisas e pessoas. Hoje há um regozijo por eu ser assim.
Tem que ter coragem de revelar certos sentimentos. É por isso que admiro Mainardi, Lessa e Millôr. O lado negativo disso tudo é a perda constante que tenho de pessoas. Mas entre me perder e perder alguém, a escolha não é difícil. Por isso eu digo, Ana Cláudia: Eu não copio o Diogo Mainardi!
O que eu faço ainda o Brasil?
Tem uma frase mais ou menos assim: “Querer não é poder”. ( risos ) Se fosse depender de minha vontade eu estaria longe daqui. Mas a minha dificuldade em sair do Brasil é a mesma de um brasileiro recém-formado, com um diploma na mão, querendo conquistar de imediato o mercado de trabalho. O problema é que no Brasil o diploma acaba virando, nas mãos de uma criança, uma espécie de óculo. Esse foi um dos motivos de eu abandonar duas faculdades. Troquei o óculo pela literatura. Pode ser que amanhã eu arrependa, ou não.
Muita coisa soma pra eu não ficar livre do Brasil. ( continuação abaixo )..
Escrito por Leonardo Cattoni às 12h52
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Eu não tenho filho, Ana Cláudia. Tenho um irmão de três anos que amo muito. Por ter essa diferença grande de idade entre a gente, aparece em mim, creio eu, máculas paternas. A ingenuidade e fragilidade dele me deixam na obrigação de protegê-lo. Eu daria minha vida pra ele.
O pai aponta o caminho que acredita ser o melhor e menos dolorida para o filho. Se o filho vai ou não trilhar esse caminho é uma outra história.
Posso dizer para um filho meu que o Brasil não é lugar para viver e ele achar aqui “Super-Legal”. Vou passar pra ele o que eu acredito, mas não tenho o direito de decidir tudo por ele. Só sei que, enquanto meu filho estiver sob minhas asas, eu farei do Brasil, pra ele, o bicho papão. ( risos )
Se macaco tem relação com racismo?
Como? Tem macaco no mundo inteiro. Macaco é macaco! (risos)
O que eu faço com um blog se os leitores não me interessam?
Acho que tu entendeste errado. Não são os leitores que me desinteressam. O que me desinteressa são as reações, as opiniões deles.
Seria uma hipocrisia eu dizer, como blogueiro, que leitor não me interessa. É claro que gosto de ser admirado como escritor, mas deixar de transparecer minhas verdades para conquistar leitores seria como assinar o meu próprio óbito como escritor. Não sou Paulo Coelho!
Escrevo primeiro pra mim, a reação das pessoas é conseqüência do que penso. Se a reação da pessoa que me ler é de repúdio, paciência.
Ana Cláudia disse também que o meu último texto foi sem autenticidade. Ora, eu comento o tempo inteiro sobre os acontecimentos da política interna do Brasil. Basta ler!
Por exemplo, eu disse que a origem desses recursos viria de estatais, não de empréstimos. E não deu outra; dias depois da publicação do meu texto, foi descoberto que R$ 10 milhões do Banco do Brasil foram desviados para o PT. E se procurar, encontra mais fontes.
Ando ganhando.
Veja: Bem no início da Campanha do desarmamento eu disse que o Não seria o vitorioso. Confesso que no meio da Campanha eu recuei, devido à presença em massa de atores globais apoiando o Sim. Mas mais tarde apostei no Não. Também comentei com um conhecido, o Alexandre, que o Rio Grande do Sul seria o vitorioso do Não. Disse também a uma conhecida, a Val, que o Rio Rrande do Sul era o estado que mais tinha armas e, no entanto o menos violento. Rio Grande do Sul foi o estado com maior índice de reprovação pelo desarmamento.
Eu também havia dito, muito antes de alguém aparecer envolvido no esquema de Mensalão, para um conhecido, o Glauco, que trabalha no PTB, que o patrão dele apareceria envolvido no esquema. Dias depois Romeu Queiroz apareceu envolvido por ter recebido de Marcos Valério R$ 350 mil e R$ 120 mil da Usiminas.
Ana Cláudia me deu uma grande idéia de como ganhar dinheiro. Os meus palpites agora custarão dinheiro. Vou passar a freqüentar hipódromos, mesmo sabendo que é muito mais arriscado apostar em cavalos do que no óbvio.
Grato, Ana Cláudia!
Escrito por Leonardo Cattoni às 12h51
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Política e bla-bla-blá
Pela primeira vez um e-mail me estimulou a escrever o que eu não escrevia há tempos. Mas deixo claro que ninguém exerce poder de me incentivar a falar sobre um assunto qualquer no espaço que só me pertence.
A Elaine esses dias me disse: “Eu gosto do teu blog porque você deixa explícito que quem não gostar de seus textos que saia antes mesmo de terminar a primeira frase, sem a obrigação de pedir licença. Você deixa claro que caga e anda para os seus leitores”. Sim, verdade. Confesso também que tenho meia dúzia de leitores, o que me anima bastante, me deixando em estado de embevecimento profundo.
Essa meia dúzia de leitores é que me estimula a escrever. Se fosse uma pessoa ao invés de meia dúzia, eu estaria aqui do mesmo jeito.
Política foi o tema sugerido pela minha leitora, que dizia que os meus textos estavam ficando chatos.
O meu interesse por política continua o mesmo. O problema é esses seis meses de denúncias, que me desanima demasiadamente.
Como eu já havia dito, o Lula pra mim continua o mesmo. Como nunca depositei esperança no governo dele, a decepção nunca chegou.
A única coisa que mudou em mim foi a torcida de ver o Lula cair. Esmoreci. A oposição se mostra muito mais incompetente do que o próprio governo.
Depois de cutucarem na vaidade do PSDB, com a denúncia do suposto uso de caixa dois na campanha de Eduardo Azeredo a governador de Minas, os tucanos se rebelaram.
O poder está ligado na vaidade por um cordão umbilical. Ninguém corta.Um alimenta o outro. Agora o PSDB já fala em impeachment.
Mas na verdade a oposição só quer mesmo é enfraquecer o governo com essas novas denúncias. Impeachment continua fora de cogitação. Não é interesse da oposição derrubar o Lula e deixar o vice, José de Alencar, assumir o poder. Seria outro governo. Com um caixa abarrotado de dinheiro para fazer obras e com disposição de baixar os juros, Alencar seria o presidente dos sonhos.
Depois da reportagem da Veja, denunciando uma suposta doação de Cuba, no valor de US$ 3 milhões, para a campanha do presidente Lula em 2002, a oposição já pensa em entrar na justiça pedindo a cassação do registro eleitoral do PT, tornando, com isso, o presidente inelegível em 2006. Isso sim, é uma boa estratégia para a oposição.
Mas entre o PSDB e o PT, eu fico “entre os dois”.
Estou cansado de ver a oposição cometer tolices. Não agüento mais ver o senador Arthur Virgílio junto com a sua sombra, o herdeiro de ACM, dizerem tantas balelas. Eles afirmaram que suas famílias estão sendo monitoras o tempo inteiro pela ABIN ( Agência Brasileira de Inteligência ). Virgílio disse que se acontecer alguma coisa com seus familiares, ele dá uma surra em Lula. “Mexer comigo, e com minha família, é como passar a mão no bumbum da mulher de Mike Tyson num bar. A reação é a mesma. Sou escorpião. Jamais desonraria o meu signo”. A “sombra” também disse que pode surrar o Lula.
Outra recente denúncia, envolvendo o ex-assessor de Gilberto Gil me deixou desconcertado. Roberto Costa Pinho disse que recebeu R$ 300 mil, em quatro parcelas, do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Costa Pinho recebeu a quantia entre setembro de 2003 e fevereiro de 2004, por meio de saques do Banco Rural de Brasília.
Roberto Costa Pinho disse que a quantia fazia parte da antecipação de “um contrato de boca” feito por Delúbio Soares, pelo qual ele realizaria pesquisas pré-eleitorais em 25 cidades de médio porte durante o ano de 2004.
Marcos Valério ainda disse que passou ao ex-assessor do Ministério da Cultura R$ 450 mil, entre setembro de 2003 e fevereiro de 2004.
Demitido por Gilberto Gil em fevereiro de 2004, por conta de supostas irregularidades que teriam sido cometidas no programa Cidade Aberta, Costa Pinho jamais realizou o serviço contratado. O dinheiro também não foi devolvido a Delúbio Soares.
Perguntado sobre o que tinha feito com o dinheiro, Costa Pinho disse: “’Sobrevivi’ dele nesses últimos 20 meses.” Sobreviveu? Sobreviver com 15 mil reais mensais não é sobreviver! E esse dinheiro, veio de onde?
Não sou contra a oposição. Eu acho que deve ter oposição em todo lugar. Acho também que a revista Veja faz um excelente trabalho denunciando e revelando irregularidades no governo. Isso é democracia! A imprensa tem esse dever. Não vivemos mais numa ditadura.
Eu só acho que essa briga está indo longe demais. Virou canibalismo. O que não é bom pra ninguém. “Cada partido compreende que interessa a sua própria conservação não permitir que se esgote o partido contrário. O partido tem mais necessidade de inimigos do que de amigos: só pelo contraste é que começa a se sentir necessário, torna-se necessário” (Nietzsche)
O foco principal seria findar com os saques ao Estado. Acabar com a fonte desses recursos. O problema é que os políticos insistem em negar que sabe a origem desse dinheiro todo. Ora, o que aconteceu com os Correios acontece em todas as entidades, estatais e empresas privadas. Investiguem, por exemplo, a Cemig!
“Doações” do estrangeiro para partidos brasileiros é proibido. O que o governo quer fazer é o mesmo que Roberto Jefferson fez: Deixar claro que não é o único que erra. “A gente erra, mas todo mundo erra também”.
A única diferença entre o governo e a oposição é que todas as denúncias do esquema de caixa dois dos partidos de oposição eram de recursos que tinham origem dentro do estado brasileiro. Os do Pt veio, por exemplo, de Cuba.
Ontem o Conselho de Ética aprovou, por unanimidade, o arquivamento do processo de quebra de decoro parlamentar contra o deputado Sandro Mabel. Mas pra Mabel ficar livre de vez, o relatório precisa ser aprovado no Plenário da Câmara.( continuação abaixo )...
Escrito por Leonardo Cattoni às 17h56
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Continuação...
Se Mabel foi absorvido por falta de provas, o ex-ministro José Dirceu pode também se livrar das denúncias, não!?
Essa política me deprime.
Desde que saiu o “cabeça chata” do Severino, a política de nosso país perdeu a graça. Severino era cômico. No meio desse turbilhão tínhamos Severino. Aldo Rebelo não tem cara de nada. Um pobre coitado. Desde que ele entrou, a cadeira da Presidência da Câmara parece estar vazia. Severino era mais divertido!
A política de nosso país é cômica. A impunidade gera corrupção.
Veja, por exemplo, o referendo. Votei no Não e venci o governo. Ao invés de acabar com a impunidade, com a fome, com o desemprego e com a falta de ensino, o governo quer desarmar a população. A violência não é gerada pela arma. A violência é causada por todos esses itens que mencionei anteriormente.
Eu já havia dito, num texto anterior, que o Brasil tem essa mania. Ao invés de arrancar a raiz problemática, o Brasil poda, proliferando problemas.
Quando eu fui ao Rio de Janeiro, a Linha Vermelha estava interditada por militares por conta de um briga de traficantes rivais. Aqui, em Belo Horizonte, um tempo atrás, a prefeitura distribuiu panfletos alertando a população aonde não pisar. Mostrando os lugares onde o índice de criminalidade era alto.
É assim no Brasil. Ao invés de acabar com os criminosos, serem severos com eles, invadirem as favelas e fazerem justiça, o governo prefere nos desviar da parte podre que contamina o resto do país. O governo é muito acomodado.
Eu não sou contra o Lula, eu sou contra o Brasil e esse sistema ordinário.
Depois falam que sou injusto em dizer que não gosto do Brasil.
O fenótipo de um chimpanzé é bem mais rico do que da classe política. Um chimpanzé sem pêlo e trajando um Armani, representando o nosso país no exterior, é mais convincente e respeitado do que o Lula. Como Lula não fala nenhum idioma mesmo, a gente poderia pensar em contratar um tradutor charlatão pra traduzir as “macaquices” do Chimpanzé. Deveria ter um texto, claro. O texto poderia ser escrito por Mainardi ( risos )
Nada me anima mesmo nesse país. Para o estrangeiro a nossa cultura se baseia em futebol e carnaval. Além de eu não gostar de carnaval e futebol, os dois estão contaminados pela corrupção. Também não vejo graça no folclore nosso. A nossa cultura é pobre. Todos dizem o contrário, mas é pobre. Ainda temos bons letristas na ativa. Mas é por enquanto.
Os escritores? Quase nenhum! “ Quando alguém quer provar que o Brasil tem saída, sempre menciona Machado de Assis, como se um único escritor resgatasse séculos de falta de talento. Assis virou um álibi para o nosso fracasso.”
O pior é que eu não gosto do Machado de Assis. Prefiro o Eça de Queirós!
É, tudo nesse país não presta. Tudo errado. Quando não existir mais Chicos e Caetanos por aqui, eu já vou estar em algum lugarejo da Europa com os meus filhotes. Vou banir com o mapa do Brazil no livro de Geografia de meus filhos e dizer que aqui só tem macacos, cobras, jacarés e políticos corruptos.
Escrito por Leonardo Cattoni às 17h53
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Título? ( pensando )...
Salinas na tevê é tão diferente! Deve ser tudo truque.
Ah! Recebi um e-mail hoje dizendo que os meus textos ultimamente estão chatos. Que eu deveria comentar mais do que eu não sei: política. Mas eu cansei de política, gente! Escrevo essa semana qualquer coisa e deixo aqui. Deixo uma pergunta no ar: Lula cai ou não cai?
Meu ídolo jurou que cai. Será que Mainardi tem bola de cristal?
Escrito por Leonardo Cattoni às 12h03
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Monólogo no diálogo
Sabe - eu nunca temi as conseqüências do meu raciocínio. Honestidade mesmo só em mim. É que pensamento quando vira palavra morre um pouquinho.
Pra destorcer qualquer coisa na gente, basta verbalizar. Absurdos dito são verdades vazando e nós desperdiçados.
Mas falo! Silêncio por fora berra por dentro e acorda o câncer que dorme em nós. Escuta-me?
Você pode dizer que boca aberta entra mosquito. Eu digo que boca fechada cria telha de aranha em nós. Quem come quem?
Me arruma um cigarro seu! Não pergunto quando corro o risco de uma resposta indesejada pousar em mim. Isso enfraquece curiosidade.
Por que o silêncio? Pensa em quê? Pensamento destrói objetos inanimados. Descartes disse que as idéias seriam representações fiéis das coisas. O que você acha?
Ei!, olha pra mim quando eu estiver falando com você! Olhos dos outros tapados me cega.
Ontem eu estive aqui. No seu lugar um jovenzinho não parava de descontar as suas frustrações em Deus. Desgraça pouca é bobagem, muita é desenho de Deus?- Perguntei pra ele. E você, acredita em Deus? Sem começo e sem fim, Deus é disco arranhado. Refrão repetido cansa até música. Deus só aparece em nós quando estamos diante do irrefutável. Pois quando a resposta não vem, a gente manda chamar Deus.
Mas te falo que tem gente aqui que vem se esconder do amor. Tem jeito? E o que é amor? Pra amor não existe nem Deus, quanto mais resposta!
Meu caso é caso e repito ele pra você e pra quem mais estiver aí. Está cravado em mim.
Quase perdido eu me encontrei numa mulher. Mulher de verdade. Mulher-Homem! Ela é professora, mas ensina melhor mesmo longe do estrado. Admiro-a sob todos os prismas. Se ela sabe? Sabe e finge que não sabe. Tem muito mais medo dela própria do que de mim. Por quê? Porque tem medo de seus desejos. "Não se pode achar que nossos desejos são criminosos quando eles são apenas naturais", pode? Isso ela não aprendeu!
Ela me criou para me dar para o mundo. Sou filho crescido, aluno formado e homem feito; não pertenço a ninguém. Não é assim? Ela sabe; ela é mãe.
Mãe goza com os sucessos do filho. Ela goza com os meus. O amor dela virou mácula na minha vida. Ela também me ensinou a voar. Mas pardal não acompanha águia, acompanha? Fiquei pra trás! Ela só não me ensinou a fazer pouso. Por quê? Porque chão machuca. Chão é verdade. Já viu mãe mostrar dor pro filho? É por isso que antes do filho enterrar a mãe, ele tem que "crescer" longe do terreno dela. Dor é a vida que nos ensina.
Hoje estou aqui. Não há distância que faz ela morar longe de mim. Ela está aqui. Ando é desaprendendo.
Conheci uma mulher que aprendeu tudo que sabe em outra escola. Ensina-me o tempo todo a me equilibrar. Gosta de chão. Tem medo de altura.
Atriz formada, não parou de atuar longe do palco. Faz de mim tablado. Eu não aplaudo mais. Cansei! A gente cansa de aplaudir a mesma “façanha” o tempo todo.
Ela pode me fazer de pequeno pra provar que és grande. Não se esqueça que vírus derruba homem!
Ela é tão indecisa! É que o medo da decisão é o medo de errar. Não é ela que gosta do chão?! Eu erro é pra acertar!
Veja a sinuca: já viu caçapa mudar de lugar? São as bolas que correm o tempo todo procurando abrigo.
Eu prefiro pensar mesmo por mim. Ficar sozinho. Dizem que duas cabeças pensam melhor. Bobagem! Cada cabeça trabalha pra si. Vitória pra um é derrota pra outro.
Você ficou em silêncio o tempo inteiro. Não manifestou nada! Eu sei que cada um tem uma máquina da verdade. Coloque a sua pra trabalhar!
Diga-me só o seu nome. Não que nome mude alguma coisa. Amanhã você será o "jovenzinho calado". Mas, qual o seu nome?
-Leonardo.
Escrito por Leonardo Cattoni às 15h26
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