A FELICIDADE SÓ PERTENCE AO PASSADO
Oito anos se vão. Praticamente uma década. 1/3 de mim. Uma vida aqui. Talvez se fosse oito dias eu teria o que contar.
Domingo passado eu encontrei um amigo que não via há oito anos. Agora o chamo de “Espelho de minha Adolescência”.
Bar, cigarros, cervejas, pão com alho, passado e Dostoievski no cardápio do dia. De sobremesa Eça de Queirós com nossas “Luísas”. Para os pedintes, os miseráveis que não deixavam a gente passear no passado, um tantão de Machado de Assis. William sempre foi bom de mira e acertou o alvo novamente: “Eça é muito melhor do que Machado”. Não que o Eça seja melhor, tudo nosso que é pior. Somos tão desgraçados que a nossa melhor escritora é ucraniana. Viva Lispector!
Deveríamos ter adicionado alguns beatniks, de preferência Charles Bukowski. Uma pimenta no pão com alho não seria ruim. Bukowski tem a cara de nossa juventude. Nosso herói! Poeta ébrio é com a gente.
Eu perdi os meus oito anos nesse encontro com o William. Cadê os oito anos? No bolso da calça só minhas mãos no calor de fora. Na lapela um maço de cigarros vazio. Essa é a sensação que tenho quando pergunto sobre esses malditos oito anos.
Rimos da desgraça alheia. Da desgraça do passado que não mais nos pertence. Praguejamos o passado. Somos frutos dele ou a peste que acaba com o Hoje para a sobrevivência do Amanhã? Lápide em branco.
Se a ciência tivesse me congelado nesses oitos anos eu acordaria hoje um analfabeto funcional diante esse texto. Agora escrevo apenas para me redimir. “Eu era feliz e não sabia”. A gente sempre caminhando em direção da infelicidade.
Mas se daqui oito anos eu estiver aqui, o que fiz amanhã?
Ter dezessete anos é não ter esse texto em mente. É viver sem ter obrigação de contar. Tudo é o hoje! É esquecer do relógio no pulso na espera da felicidade que nunca chega.
Escutei uma coisa bacana: “ A felicidade é aquele peixe que a gente tenta pescar com um pedaço de cenoura na ponta do anzol e quando menos assusta a vida passou e a cenoura continua lá.”
Vai ver que nesses oito anos eu estava lá, tentando pescar o peixe com um pedaço de cenoura.
( Depois que minha namorada chegou no bar os oito anos voltaram e a cerveja na garrafa teve sua vida reduzida )...
Queria ter os meus dezessete anos outra vez...
Escrito por Leonardo Cattoni às 12h21
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