DECEPÇÂO COM O LULA
Confesso que na janela do meu quarto ainda tem um adesivo “Quero Lula Para Presidente”. Tentei arrancá-lo, mas a cola é tão resistente quanto Lula já presidente.
O adesivo também continua LÁ!
Votei duas vezes no Lula. A primeira foi quando o Brizola era o seu vice, a segunda foi quando a opção estava morta.
No dia primeiro de janeiro de 2001, depois de uma noite exausta por conta do reveillon, fui obrigado a comparecer em três cidades do interior de Minas. Fui, representando o meu pai, cumprimentar os três eleitos a prefeito. Eu estava em Cel. Murta e havia dormido menos de uma hora quando o motorista, às seis da manhã, me buscou para fazer a “peregrinação”
A cidade mais distante era a que mais me entusiasmava. Itinga possuía uma balsa, onde atravessava carros e pessoas para o centro da cidade. Era no centro, num ginásio, que seria realizado a celebração da posse. Era apenas uma balsa e comportava, creio eu, apenas dois veículos. A fila estava imensa e o sono me dominou. Acabei dormindo. Na volta foi mais tumultuado e o sono acabou me traindo novamente. Perdi a travessia.
No carnaval de 2001 tentei refugiar-se para uma cidade menos tediosa que Cel. Murta. Resolvi então dá um pulinho na “cidade da balsa”. Andar de balsa seria de fato o episódio mais divertido do meu carnaval.
Fiquei mais de duas horas na fila e acabei desistindo.
Decepcionado por não ter andando de balsa e chateado por ter gastado uma quantia alta em combustível, peguei novamente a estrada. Só fui descobrir que eu era um felizardo quando me dei conta que estava próximo da Bahia e muito longe daquele inferno. Melhor que estar perdido numa estrada, em pleno carnaval, escutando Bob Dylan, só mesmo dormindo em casa.
No primeiro ano de mandando o Lula resolveu também passear de balsa. Lula teve muito mais sorte do que eu. Ele não enfrentou fila para andar de balsa. Mas parece que o presidente não gostou do passeio. No mesmo dia ele anunciou que uma de suas prioridades como governo era extinguir a balsa com a construção de uma ponte.
Lula assassinou o meu sonho infantil! Foi a primeira e única vez que tive uma decepção com o Lula. Não se pode esperar de um bode ladrar.
Lula gosta de Utopia, mas insiste em governar o Brasil. E cá entre nós, governar o Brasil é muito mais divertido do que governar a Utopia. Utopia não precisa de governo!
Eleger um homem como Lula e esperar dele alguma mudança benéfica é como entrar numa Máquina do Tempo e querer voltar para o dia 7 de setembro de 1822 para dizer que vivenciou a Independência do BraZil. É Lula lá!
Ah!, sobre os três eleitos a prefeito, apenas uma reelegeu. Sou mesmo um pé frio. Se não fossem esses escândalos, eu já teria mudado para Brasília, mesmo não tento cumprimentando o presidente no dia da posse. Afinal, meu voto foi dele.
Escrito por Leonardo Cattoni às 13h28
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