Meu nome é Gal!


QUERO ASSISTIR À PEÇA TEATRAL EM MANAUS!

Minha namorada é manauense. Nunca pensei que fosse conhecer uma manauense. Pra mim Manaus pertencia a um outro mundo. Eu poderia comparar facilmente um manauense a um E.T. Manaus estava muito distante de mim e do meu interesse em conhecê-la. Pra mim Manaus só servia mesmo para enriquecer os cofres de algumas cidades do sudeste e de algumas multinacionais. Manaus era como o Sol, que mesmo distante, serve para alguma coisa.

Mas agora a coisa mudou. Passei a me interessar por Manaus. Sei mais de Manaus; seus costumes, sua população, sua história do que de Belo Horizonte e Curitiba junto.

Manaus tem 1.255 habitantes. Porto na margem esquerda do rio Negro; surgiu como arraial no séc. XVII; tornou-se cidade em 1848. A criação da Zona Franca foi em 1967 devido ao crescimento do ciclo da borracha. Sei também que o primeiro teatro no Brasil foi construído em Manaus, no ano de 1896 e sensatamente batizado de Teatro Amazonas. Por falar em teatro, Procópio é atriz. Por Manaus ser a precursora do teatro no Brasil, pode ser que a Procópio sofreu alguma influência em seguir carreira de atriz. O sonho do manauense, que aposentou a profissão de índio, deve ser a de se tornar um grande ator teatral. Por Manaus fazer parte de outro mundo, os atores manauenses ficaram restritos no seu mundo. Dificilmente um ator manauense conquista um espaço fora de teu mundo.

Aliás, outro desinteresse meu era com o teatro. Nabokov conseguiu traduzir em palavras o meu sentimento em relação ao teatro: “Detesto o teatro, como forma de arte primitiva e pútrida, historicamente falando; uma forma de arte que cheira a ritos da Idade da Pedra e a tolice comunal, tais como, digamos, a poesia elisabetana que um leitor oculto despeja automaticamente da coisa”. Inclusive escrevi esse mesmo trecho de Nabokov numa carta a Procópio. Mas Procópio venceu! Ela me introduziu no teatro. Nunca havia antes pisado num teatro e pisei para assistir uma peça onde ela atuava. Assim como Manaus, o teatro se tornou interessante pra mim. O interesse de Procópio pelo teatro me contaminou!

Dizem que o amor é cego. Pode ser que sim. Caetano Veloso disse que o Amor é cego, que Ray Charles é cego, que Stevie Wonder é cego. Realmente, não há desvantagem alguma em ser cego quando se enxerga com a alma. Aprendi com a Procópio que o Amor tem suas virtudes, assim com Ray Charles tem as suas.

O amor me transformou em uma pessoa pior. Sempre acreditei que a minha maior virtude era a insensibilidade. Pode ser que amanhã eu mude de idéia. Pode ser que amanhã eu fique com o Leonardo da Procópio. Pode ser que me transforme naquele Leonardo envolvido nos braços da manauense.

Procópio está me levando a lugares nunca antes visitado por mim. Ainda me considero um estrangeiro e ando sobrevivendo num mundo que parece não me pertencer.

Sou um peixe fora d água, e aprendi que quando se movem as nadadeiras fora d água não se nada, mas se voa. E é isso que a Procópio faz comigo: Ela me faz voar pra bem alto, e eu prefiro voar a nadar.

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 13h43
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DECEPÇÂO COM O LULA

Confesso que na janela do meu quarto ainda tem um adesivo “Quero Lula Para Presidente”. Tentei arrancá-lo, mas a cola é tão resistente quanto Lula já presidente.

O adesivo também continua LÁ!

Votei duas vezes no Lula. A primeira foi quando o Brizola era o seu vice, a segunda foi quando a opção estava morta.

No dia primeiro de janeiro de 2001, depois de uma noite exausta por conta do reveillon, fui obrigado a comparecer em três cidades do interior de Minas. Fui, representando o meu pai, cumprimentar os três eleitos a prefeito. Eu estava em Cel. Murta e havia dormido menos de uma hora quando o motorista, às seis da manhã, me buscou para fazer a “peregrinação”

A cidade mais distante era a que mais me entusiasmava.  Itinga possuía uma balsa, onde atravessava carros e pessoas para o centro da cidade. Era no centro, num ginásio, que seria realizado a celebração da posse. Era apenas uma balsa e comportava, creio eu, apenas dois veículos. A fila estava imensa e o sono me dominou. Acabei dormindo. Na volta foi mais tumultuado e o sono acabou me traindo novamente. Perdi a travessia.

No carnaval de 2001 tentei refugiar-se para uma cidade menos tediosa que Cel. Murta. Resolvi então dá um pulinho na “cidade da balsa”. Andar de balsa seria de fato o episódio mais divertido do meu carnaval.

Fiquei mais de duas horas na fila e acabei desistindo.

Decepcionado por não ter andando de balsa e chateado por ter gastado uma quantia alta em combustível, peguei novamente a estrada. Só fui descobrir que eu era um felizardo quando me dei conta que estava próximo da Bahia e muito longe daquele inferno. Melhor que estar perdido numa estrada, em pleno carnaval, escutando Bob Dylan, só mesmo dormindo em casa.

No primeiro ano de mandando o Lula resolveu também passear de balsa. Lula teve muito mais sorte do que eu. Ele não enfrentou fila para andar de balsa. Mas parece que o presidente não gostou do passeio. No mesmo dia ele anunciou que uma de suas prioridades como governo era extinguir a balsa com a construção de uma ponte.

Lula assassinou o meu sonho infantil! Foi a primeira e única vez que tive uma decepção com o Lula. Não se pode esperar de um bode ladrar.

Lula gosta de Utopia, mas insiste em governar o Brasil. E cá entre nós, governar o Brasil é muito mais divertido do que governar a Utopia. Utopia não precisa de governo!

Eleger um homem como Lula e esperar dele alguma mudança benéfica é como entrar numa Máquina do Tempo e querer voltar para o dia 7 de setembro de 1822 para dizer que vivenciou a Independência do BraZil. É Lula lá!

Ah!, sobre os três eleitos a prefeito, apenas uma reelegeu. Sou mesmo um pé frio. Se não fossem esses escândalos, eu já teria mudado para Brasília, mesmo não tento cumprimentando o presidente no dia da posse. Afinal, meu voto foi dele.

 

 

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 13h28
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