RI-menna
Ri não vem de riso. Se fosse riso, talvez hoje seriam lágrimas. ( Do singular ao plural. A desgraça sempre vence em quantidade )...Ri não é epíteto!
Ri sangra, corta o nome desigual, que, inteiro, nomeia o sobrenome de Amor.
Ri aparenta sintomas de um caráter viril, mas ao deitar as pálpebras e fazer dançar o inquilino dos lábios, se mostra mais doce que o mel da abelha mais diligente.
Desfilando sob meus olhos famintos, Ri é tão pueril quanto um recém-nascido devorando vida no âmago da mãe miserável.
Ri, que tem o orgulho como abismo e o ciúme como labirinto, passeia com venda nos olhos quando distante de minha vigilância. Ri é cega e inaudível, mas às vezes a tua sensatez se rende ao sensato.
Ri engendra em mim o mesmo que a poesia no poeta, a luz na mãe, a música na orquestra.
Ri verti lágrimas em minha alma quando em minha pele a alegria transborda.
Ri vela o meu sono. Adormecido pelo prazer, ébrio de amor, eu salto, com a tua voz acariciadora, para o PAI dos sonhos, onde me deparo com um olhar saturado de amor. Viro o teu servo no mesmo instante e atendo o teu pedido que, de tão desagradável, me desperta, me deixando ÓRFÃO: “Abra a porta, Leo. Está na hora de eu ir embora. O sol já se levantou”.
Ri brilha o meu mundo. Ri faz dia quando noite, sol quando chove.
Ri desperta todo desejo em mim, quando esse, sob o ninar do Egoísmo, dormia profundamente. Agora o desejo já tem com quem dividir as despesas, como se sua retribuição fosse um ramalhete; como em uma sociedade, que cada sócio iludi o companheiro com números positivos.
A sociedade não serve apenas para a cumplicidade dos sócios ao escutar o bater da porta, praticado pelos credores? Desgraça, ao contrário de sucesso, é a fatia gorda inegável.
Um sócio nunca quer compartilhar lucro, mas sim dívidas.
Não seria uma desgraça matar o amor-próprio para poupar o “inimigo não declarado” de falência? O amor é inimigo!
O amor verdadeiro não seria para o orgulho, que é doutrina do brio, inimigo oculto?
Já posso me considerar um aristocrata quando balanço na gangorra do amor movida pelas mãos de Maquiavel.
Ri governa com o teu olhar lascivo e com o teu corpo MUNDO todo o meu território anarquista.
Ri é MUNDO! Mundo esse, que de tão vasto, nem Raimundo nem ninguém rimaria o que Ri em mim domina, mesmo distante de qualquer rima.
Escrito por Leonardo Cattoni às 13h23
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